24/01/2009

Penedo do Lexim

Trabalho de Campo - Petrologia Ígnea e Metamórfica

22/12/2008

Prospecção Geofísica

SÍSMICA DE REFRACÇÃO

A prospecção sísmica baseia-se no facto das ondas elásticas (também chamadas ondas sísmicas) se moverem com velocidades diferentes em rochas diferentes. A partir da libertação de energia sísmica num ponto e da observação dos tempos de chegada destas ondas a um número de outros pontos à superfície da terra, é possível determinar a distribuição da velocidade e localizar interfaces subterrâneas onde as ondas são reflectidas ou refractadas.
Dividem-se em dois grupos consoante a fonte de energia das ondas sísmicas: (1) abalos sísmicos e (2) energia sísmica artificial. A principal contribuição dos abalos sísmicos consiste na informação das propriedades tisicas e estrutura do interior da terra.
Os métodos que utilizam energia sísmica artificial (métodos de levantamento de reflexão e refracção) são largamente aplicados a estudos da estrutura da crusta, da correlação geológica de sequências de camadas, no mapeamento de estruturas da crusta superior e na exploração de hidrocarbonetos. Do mesmo modo, embora numa escala menor, estes métodos são aplicados a problemas geotécnicos e ambientais tal como a localização do nível freático, zonas de fractura com água, cavidades, delineação de falhas e fracturas e investigações locais de fundações, incluindo a determinação da profundidade do bedrock.
Na aplicação dos métodos sísmicos a problemas geológicos, a propriedade mais importante das rochas é a velocidade de propagação, particularmente, das ondas longitudinais (ondas-P) que são as mais rápidas e as primeiras a serem registadas. As características da reflexão e refracção da onda sísmica depende principalmente, dos contrastes de velocidade envolvidos através da fronteira. Assim, o conhecimento das velocidades das ondas nas rochas é a base para a interpretação sísmica.
Dentro de certos limites, a informação da velocidade pode ser convertida para o tipo de rocha. O intervalo de variação nas velocidades das ondas nas rochas é consideravelmente maior do que as variações correspondentes nas suas densidades. Em geral, as rochas ígneas mostram um intervalo de variação mais pequeno do que as rochas sedimentares ou metamórficas. Onde se observam maiores velocidades é no dunito, uma rocha ultrabásica que alguns acreditam ser um constituinte importante do manto terrestre.
As rochas sedimentares mostram um grande intervalo de variação nas velocidades, quer de uma formação para outra quer dentro da mesma formação. Os factores chave para esta variação parecem ser a densidade e a porosidade. Velocidades sísmicas menores do que a velocidade na água são geralmente encontradas próximo da superfície numa zona chamada “weathered layer” ou camada de baixa velocidade (low velocity layer - LVL). Muitas vezes a base da LVL coincide aproximadamente com o nível freático, indicando que a LVL corresponde à zona não saturada localizada acima da zona saturada de água. Muitas rochas ígneas e metamórficas têm pouca porosidade e, por isso, as velocidades das ondas sísmicas dependem principalmente das propriedades elásticas dos minerais, constituindo eles próprios o material rocha. Este é também o caso dos calcários compactos e dolomias. Por outro lado, arenitos, rochas argilosas e certos grupos de calcários brandos, têm microestruturas muito complexas com espaços porosos entre os grãos que podem conter fluidos ou outros tipos de material sólido, tal como argilas. Nessas rochas, a velocidade é muito mais dependente da porosidade e do material de preenchimento dos poros.

Bibliografia

Sharma, P. V. (1997) – Environmental and Engineering Geophysics. Cambridge University Press, Cambridge, ISBN: 0 521 57240 1, 475 pp.
https://dspace.ist.utl.pt/bitstream/2295/49261/1/Sismica.doc (Acessível em 22/12/2008)

19/12/2008

Histórico das Extinções

Extinção é um processo constante, que exige uma adaptação contínua das espécies mesmo na melhor das épocas; é um dispositivo que abre continuamente os nichos para espécies novas, abastece o motor da selecção natural e o crescimento da diversidade biológica, que sempre cresceu, mesmo que não continuamente, desde a primeira explosão de vida animal no Cambriano, há 540 milhões de anos.

O gráfico abaixo demonstra uma linha que ilustra os níveis de mudança da diversidade, medidos por fósseis dos organismos marinhos classificados por famílias. O registro fóssil mostra cinco eventos principais de extinção em massa. Durante estas extinções, Famílias ou mesmo Ordens inteiras de organismos foram eliminados, redireccionando radicalmente o curso da evolução.
A mais famosa das extinções em massa é a mais recente: a do fim do período Cretácico (5 da fig.1) quando os dinossauros se extinguiram (com excepção, tal como muitos cientistas sugerem, alguns dinossauros que evoluíram em pássaros). A extinção do Cretácico, mais do que qualquer outra, tem gerado uma grande controvérsia.
Muitos cientistas afirmam que esta teria sido causada pelos efeitos atmosféricos de um impacto por meteoro na costa de Yucatan, no México. Mas outras explicações propostas para o desaparecimento dos dinossauros incluem a perda do habitat, competição com mamíferos, mudança do clima, a propagação de doenças, um evento vulcânico maciço na Índia levando a um inverno vulcânico que durou meses ou anos, queda periódica de poeira cósmica, propagação das angiospermas e muitas outras possibilidades.
A extinção no Pérmico de 250 milhões de anos atrás é especialmente intrigante, em parte porque de longe esta foi a pior na história da terra: estimativas sugerem que até 95 % de todas espécies vivas antes do evento de extinção (incluindo todos trilobites e muito outros grupos animais) desapareceram.


Figura 1: Gráfico da Linha do Tempo.

CÂMBRICO (~600 Ma) - A explosão do Câmbrico foi "a grande explosão" da vida animal. Foi quando o oxigénio atmosférico aproximou-se aos níveis actuais e surge uma enorme diversidade dentro de alguns poucos milhões de anos.


ORDOVÍCICO (~480 Ma) - Logo depois que as primeiras plantas terrestres apareceram, o primeiro evento principal de extinção eliminou muitos tipos de trilobites e outras formas de vida invertebrado marinha.


DEVÓNICO (~400 Ma) - Após o aparecimento dos primeiros insectos sem asa, dos peixes com armadura (Pteraspideos) e dos anfíbios (Icthyostega), uma onda de extinção eliminou muitos invertebrados, corais e placodermos marinhos (peixes primitivos).


PÉRMICO (~299 Ma) - Répteis, como o Dimetrodon (que não é um dinossauro), transformaram-se nos animais terrestres dominantes, mas antes, a extinção mais severa causou o desaparecimento de grupos inteiros de animais, incluindo trilobites e alguns répteis semelhantes a mamíferos.


TRIÁSICO (~250 Ma) - Enquanto a vida se recuperava, répteis floresceram e os primeiros dinossauros apareceram. Uma onda de extinções eliminou muitos tipos de dinossauros "arcaicos", deixando lugar para os gigantes do Jurássico, como os Braquiossauros.


CRETÁCICO (~145 Ma) - Tubarões, tais como aqueles que vivem até hoje, sobreviveram à extinção muitas vezes atribuída a um impacto de asteróide, mas dinossauros (à excepção dos possíveis ancestrais das Aves), répteis marinhos e voadores, não.


HOLOCÉNICO - No último milésimo de segundo do tempo geológico em que a humanidade andou pela terra, as taxas da extinção começaram a elevar-se em torno de 100 vezes ou mais do que era antes de 10 mil anos, quando o homem se organizou em cidades e aumentou sua população. Para muitos cientistas, a questão é a seguinte: se a população de seres humanos duplicar neste século (uma estimativa subestimada), haverá lugar para mais quantas outras espécies?

Referências:

Santos, Fabrício R. (2007) -Extinções em massa. http://www.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/evol/especies/massext.html (Consultado em 19/12/2008)

09/12/2008

Correlações

Diagrafias - Método Estratigráfico Físico


A interpretação das diagrafias de sondagens foi inicialmente aplicada à exploração do petróleo em 1930. Paralelamente ao desenvolvimento da Sedimentologia, final dos anos 50, descobriu-se o seu potencial como instrumento de analises sedimentológicos e estratigráficos no subsolo. Mediante esta técnica é possível estabelecer a série litológica, a litoestratigrafia e ao recorrer as electrosequências e as electrofácies, as unidades sedimentares e Descontinuidades.
Uma das primeiras aplicações geológicas das diagrafias foi a de ferramenta de correlação entre sondagens, em que as diagrafias constituiu e constitui instrumento essencial da correlação estratigráfica e das unidades sedimentares no subsolo, esta correlação permite analisar a evolução lateral geométrica das unidades sedimentares, e abordar a interpretação da evolução e das características de sedimentação de uma bacia determinando texturas e estruturas de escala centimétrica e eventualmente milimétrica.
O conjunto das diagrafias que se registam numa sondagem oferecem uma imagem contínua em função da profundidade da série sedimentar atravessada, as sondas são sensíveis às propriedades físicas das rochas e disponibiliza os valores dos diferentes parâmetros. As curvas registadas correspondem à linhas que unem os pontos destes diferentes parâmetros (são as diagrafias clássicas); radioactividade natural (“gamma rayGR), resistividade(R), potencial espontâneo (PS), velocidade das ondas acústicas (sónica S) em função da profundidade; em que o gradiente das curvas pode dar a ideia da sequência granulométrica e o tipo de contacto entre os corpos sedimentares e os perfis de GR, R e PS podem representar os perfis granulométricos das series detríticas.
Cada diagrafia pode representar determinadas propriedades; como o registo acústico responder às propriedades texturais, mineralógicas e ao conteúdo fluido da formação (tipos de fluidos, salinidade, porosidade e saturação), a radioactividade natural à mineralogia, resistividade à textura e a fluidos, o Potencial espontâneo aos fluidos e em menor medida a textura e a estrutura, etc.
A interpretação das diagrafias tem inicio com a interpretação do perfil litológico vertical fazendo uma reconstituição de forma qualitativa a partir dos registos obtidos nas diferentes diagrafias. Para a correlação se estabelece a correspondência entre duas unidades litológicas em relação a uma determinada propriedade e uma posição estratigráfica relativa, a partir de então é possível estabelecer a evolução espacial e lateral das unidades.
A qualidade e a validez da interpretação, esta relacionada com os tipos de registos de que se dispõem, e o numero de registos que se faz, sendo mais fiável quanto mais dados existir. Em relação as possibilidades de interpretação das diagrafias, deve-se ter em consideração que os valores registados podem ser afectados por factores como as condições do poço, os métodos de perfuração, os lodos de perfurações, entubações, etc..


Bibliografia:
Vera Torres, J. A.(1994) – Metodos de estudio de las rocas estratificadas. In Vera Torres, J. A; Estratigrafia” – Principios y Metodos; Madrid, Editorial Ruenda, 115- 124.

Jurado, M. J. (1989)- Diagrafías: Su aplicacion en el analisis sedimentário. http://www.sociedadgeologica.es/archivos/REV/2(3-4)/Art09.pdf (Acessível em 30/11/2008)








Figura 1, 2: Modelo de Diagrafia Sónica. Extraída de http://www.lnec.pt/organizacao/dg/ngea/ensaio_diagrafias_sonicas?searchterm=diagra , em 08/12/2008.

26/11/2008

Geoistória - Informação

Explosão Cambriana- Ediacara

Os animais multicelulares não surgiram logo após o desenvolvimento das células eucarióticas; os multicelulares apareceram pela primeira vez pouco antes da ocorrência da explosão cambriana, há cerca de 570 milhões de anos. Os primeiros multicelulares são membros de uma fauna distribuída por todo o mundo - Ediacara, que recebeu o nome de seu afloramento mais famoso, situado na Austrália.

Figura 1: Mapa da Austrália, representando os fosseis característicos em determinadas áreas.

A fauna Ediacara é inteiramente desprovida de partes duras e foi considerada como representantes primitivos de grupos modernos, na maioria das vezes como membros do filo dos celenterados, incluindo também anelídeos e artrópodes. Esta fauna tem importância especial por ser o único vestígio de vida multicelular anterior a grande linha divisória que separa o Pré-cambriano do Cambriano, um limite marcado pela explosão Cambriana de grupos modernos dotados de partes duras.
No início da década de 1980 o paleontólogo Dolf Seilacher propôs outras interpretações para a fauna Ediacara. Em sua argumentação baseada em dados funcionais, esta criaturas não poderiam ter operado da mesma forma que seus supostos equivalentes modernos e que, portanto, a despeito de alguma semelhança na forma exterior, eles não podem ser associados a nenhum grupo existente, pois apresentavam uma estrutura achatada dividida em seções unidas por entrelaçamentos, talvez formando um esqueleto hidráulico semelhante a um colchão de ar. Como esse design não corresponde a nenhum plano anatômico moderno, Seilacher conclui que a s criaturas de Ediacara representam um experimento inteiramente distinto em matéria de vida multicelular, que acabou fracassando e foi eliminado numa extinção, anteriormente não reconhecida, ocorrida no final do Pré-cambriano, visto que estes elemento não sobreviveram até o Cambriano.
A hipótese de Seilacher quanto a fauna Ediacara ainda não foi comprovada, mas não há dúvida de que Ediacara desapareceu por completo e não se sabe o por que.

Figura 2: Fossil e seu respectivo modelo.

Bibliografia: Consulta de informações e exemplos com imagens extraídos do link abaixo em 26/11/2008

http://geol.queensu.ca/museum/exhibits/ediac/ediac.html

18/11/2008

Vestígios na Evolução Geológica


Fosseis
Os fósseis são restos, marcas ou vestígios da actividade de seres vivos, que ficaram preservados nas rochas ou outros materiais naturais.

Condições para sua ocorrência :
  • Os cadáveres ou restos de seres vivos têm de ficar rapidamente isolados dos agentes erosivos, do seu poder oxidante e microbiano que rapidamente os decompõem, inclusive as partes duras mineralizadas.
  • Os organismos que possuem esqueleto interno ou externo,resistente, de natureza mineral, têm mais hipóteses de fossilizar do que os organismos de corpo mole.
  • Se os sedimentos que envolvem e cobrem os cadáveres e restos de organismos são finos, como as argilas e os siltes, a fossilização é melhor sucedida. Nos sedimentos grosseiros, como as areias e os conglomerados, as águas de circulação destroem e decompõem a matéria orgânica.
  • O meio oxidante não facilita a fossilização, ao contrário do meio redutor ou anaeróbio que propícia a conservação, inclusive das partes moles dos organismos.
  • Nos climas tropicais quentes e húmidos a decomposição dos organismos dá-se de forma extremamente rapida, enquanto nos climas frios dá-se a preservação dos organismos, uma vez que a baixa temperatura inibe a acção de agentes bacterianos.

Principais processos de fossilização:

  • Conservação:Os restos dos organismos apresentam modificações mínimas. Este processo inclui a mumificação,em que o cadáver sofre sobretudo desidratação. É o aprisionamento/envolvimento de organismos em substâncias fossilizantes,como o âmbar, asfalto, gelo ou sílica, permanecendo aí conservados.
  • Mineralização:A fossilização dá-se por transformações químicas, pelas quais a matéria orgânica é substituída por matéria mineral, como a calcite, a sílica e a pirite, entre outros.
  • Incarbonização:Processo comum de fossilização dos vegetais e animais com esqueletos de natureza quitinoso. Consiste no enriquecimento progressivo em carbono em relação aos outros elementos químicos da matéria orgânica.
  • Moldagem:Este processo consiste na reprodução da morfologia interna ou externa de um resto de organismo pelo sedimento consolidado que o preenche ou envolve, respectivamente. Chama-se molde interno quando a reprodução é do interior do organismo,por exemplo, o interior das conchas. O molde externo reproduz a morfologia externa do organismo fóssil.
  • Impressão:As impressões são moldes externos de estruturas finas (baixo relevo), como folhas ou penas e rastos deixados por seres vivos. As impressões são conservadas quando os sedimentos moles em que foram deixadas sofrem diagénese, petrificando-as.
  • Marcas e vestígios de actividades dos Seres Vivos:As marcas ou vestígios de actividades vitais dos seres vivos, também podem ser fossilizadas – conhecidos por icnofósseis – como pistas, tubos,pegadas, ovos, ninhos e fezes. Estes últimos, chamados coprólitos,podem fornecer uma ideia do comportamento alimentar do animal.

Os fósseis inteiros de seres vivos são muito raros, a grande maioria corresponde, apenas, às partes duras esqueléticas, como conchas, dentes, ossos, carapaças ou espículas. Existem dois tipos de fósseis: somatofósseis e icnofósseis. Os somatofósseis incluem os restos ou partes dos organismos que fossilizaram. Os icnofósseis correspondem aos vestígios da actividade dos seres vivos, como as pegadas, rastos, tocas e outras marcas impressas pelos organismos nos sedimentos.

Bibliografia:

O link abaixo foi consultado em 11/12/2008, no ambito da pesquisa.

http://e-geo.ineti.pt/divulgacao/materiais/posters/poster_fossilizacao.pdf

11/11/2008

Variação Orbital - Ciclos de Milankovitch

Estes ciclos estabelecem que as variações cíclicas da órbita e da rotação da Terra produzem variações na quantidade de energia solar que chega à Terra (insolação).

1 - Precessão dos equinócios: - É variável, ao longo do tempo, a relação entre o instante dos equinócios e dos solstícios relativamente ao instante de maior ou menor distância da Terra ao Sol (alteração na direcção do eixo de rotação da Terra);
2 - Excentricidade da órbita: - É variável, ao longo do tempo, a forma ligeiramente elíptica da órbita terrestre(a forma da órbita da Terra à volta do Sol);
3 - Obliquidade do eixo: - É variável, ao longo do tempo, a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação à eclíptica(plano da orbita).

Bibliografia:

Crédito: Robert Simmon, NASA GSFC.

Figura: www.portaldoastronomo.org/.../foto954.jpg

(Consultados em 11/11/08)

06/11/2008

Lei de Walther

A simples definição e o reconhecimento de uma determinada fácies, porem, não são suficientes para se inferir sobre o seu ambiente de formação. É necessário, portanto, estabelecer a forma pela qual as fácies se associam e sucedem.
Utiliza-se para tanta, a "Lei da Correlação de Walther" (1893, apud Walker, 1984 ), segundo a qual, em uma associação vertical, uma passagem gradacional entre duas fácies, sugere que elas estão associadas, tendo sido geradas em ambientes deposicionais lateralmente contíguos, ao passo que um contacto abrupto ou erosivo pode indicar intervalos de não deposição ou mudanças significativas no ambiente deposicional.
A partir destes preceitos, as associações verticais de fácies têm nos perfis estratigráficos sua representação gráfica mais abrangente e significativa em termos das definições dos ambientes deposicionais.
Figura 1- Exemplo da Lei de Facies de Walther. Modelo tradicional do ciclo do carvão da Bacia de Illinois. Extraída do link http://www.unb.br/ig/glossario/fig/Lei_de_Walther.jpg

Bibliografia: http://www.dct.uminho.pt/e-Terra/artigos/pfjr/texto.html

23/10/2008

Fácies - Manifestações do carácter Geológico

Várias são as propostas para a distinção e caracterização de uma determinada fácies. Dentre elas, destaca-se a de Selley (1978) que engloba as principais evidências possíveis de serem detectadas em campo e que envolve a litologia, grau de selecção, granulometria, estruturas sedimentares, direcção de paleocorrentes, conteúdo fossilífero e geometria do corpo. A composição mineralógica das rochas detríticas oferece informações sobre a área fonte, ao passo que a granulometria, grau de selecção e estruturas sedimentares trazem indícios sobre o transporte e a deposição, reflectindo o nível de energia e separando, naturalmente, os processos sedimentares envolvidos.
A unificação e padronização destes conceitos foi proposta por Miall (1996)posterior a uma revisão, estendendo a sua utilização para todos os sistemas aluviais, apresentou um conjunto de 20 fácies mais comuns ( ver tabela 1). A nomenclatura utilizada neste conjunto de fácies é constituída por duas letras: a primeira, maiúscula, indica a granulometria dominante e a segunda, minúscula, uma característica mnemónica qualquer, por exemplo, estruturas sedimentares presentes.


Bibliografia:


http://e-terra.geopor.pt/



Texto e tabela de Classificação das Litofácies, extraídos desta citação em 28/10/2008

11/10/2008

Unidades Estratigráficas e Descontinuidades



Unidades objectivas:

Litostratigráficas (Grupo, formação, membro) - baseadas na litologia.

Biostratigráficos (Biozonas) - baseados no conteúdo fossilífero.

Cronostratigráficos (Eonotema, eratema, sistema, série, andar) - baseadas nas relações de idade (conjuntos de rochas formadas durante dado intervalo de tempo).



Unidades abstractas ou temporais:

Geocronológicas (Eon, era, período, época, idade) - tempo correspondentes ás unidades cronostratigráficas.

Biocronológicas - tempo correspondente às unidades biostratigráficas.


Outras unidades estratigráficas:

Unidades litodémicas (conjunto("suite"), litodema, zonas) - baseadas na litologia e constituídas por campos líticos que não respeitam o princípio da sobreposição (rochas ígneas, metamórficas ou sedimentares muito deformadas).

Unidades magnetostratigráficas - baseados na polaridade magnética

Unidades alostratigráficas - conjuntos líticos separados por descontinuidades (sistemas, subdivisão em intertemas, sequências)

Unidades tectóno-sedimentares - conjuntos líticos depositados com controlo tectónico. (episódios orogénicos, ciclos epidogénicos, variações eustáticas do nível do mar).

Unidades pedostratigráficas - paleossados ; unidades baseadas nas propriedades eléctricas, sísmicas, minerais pesados, etc.

Sabe-se que a classificação estratigráfica baseia-se prende prioritariamente na sucessão de rochas terrestres; contudo, em muitos locais, o registo litológico está longe de completo ou de contínuo, e é, com frequência, interrompido por inúmeros diastemas, descontinuidades, superfícies de erosão, que são, em si mesmo, parte integrante da estratigrafia e representam intervalos perdidos, não registados na história da terra.

Descontinuidades - Rupturas no Registo Estratigráfico

As descontinuidades são perceptivéis com valores muito diferentes (ausência de depósito, erosão, dissolução diagenética, etc.) e com materialização muito diferente (simples junta de estratificação, superfície de ravinamento, mudança litológica, discordância angular, etc. ).

Classificam-se em:

Descontinuidades sedimentares: Correspondem a um intervalo de tempo muito curto, em que há a descontinuidade entre laminas. Podem ser Passiva se corresponder a simples ausência de deposição ou Erosiva se ocorrer destruição parcial ou total da lâmina anterior.

Descontinuidades estratigráficas: Quando duas unidades são separadas por um intervalo de tempo considerável diz-se que há descontinuidade estratigráfica (ausência de uma biozona, p. ex.).

Descontinuidades diastróficas: Quando à ausência de determinada unidade geológica se junta deformação tectónica (discordância angular).

Contacto entre as Unidades litológicas:

Concordante: Sempre que há continuidade entre unidades sucessivas.

  • Paraconformidade: Não há diferença de atitude entre unidades sobrepostas, mesmo que faltem diversos conjuntos líticos.
  • Intrusivo: Quando corpo igneo atravessa outros corpos líticos.

Discordante:


  • Não- conformidade: contacto entre um conjunto sedimentar igneo ou conjunto metamórfico mais antigo.(Ver Figura 3 e 4)
  • Disconformidade: As camadas são paralelas de um e de outro lado da superfície, mas esta não é conforme com a estratificação.(Ver Figura 1)
  • Discordância progressiva: Quando os diversos níveis vão fazendo ângulos progressivamente diferente com o substrato.
  • Discordância angular: As inclinações do conjunto inferior e superior são diferentes, fazendo ângulos entre si.( ver Figura 2)

Figura 1. As disconformidades podem ser reconhecidas correlacionando uma área a outra.



Figura 2: Discordância Angular em Siccar Point. USA. Ver em AGI - Earth Science World Image Bank .




Figura 3: Não- conformidade. Granito cristalino em contacto com Arenito Mesozóico. Colorado- USA. Ver site Earth Science World Image Bank-AGI]



Figura 4. Desenvolvimento de uma discordância heterolitica.







Figura 5. Comparação das principais discordâncias: Disconformidade, Não-conformidade, discordância angular, respectivamente.

Referencias Bibliográficas:

Descontinuidades sedimentares e contactos entre unidades litológicas (João Pais, UNL) Recurso Moodle.

Imagens 2 e 3 extraídas de http://www.earthscienceworld.org/imagebank/ em 10/11/2008.

Figuras 1,4 e 5 extraídas de http://earthsci.org/index.html em 11/10/2008.

Estratificação e Laminação - Tipos

Antes de mais, refere-se aos Estratos como níveis diferenciáveis nas rochas limitada pelas superfícies de estratificação, e que equivale a uma unidade de tempo de depósito; em geral têm espessura maior que 1 cm, quando menor são classificadas como Laminas (menor divisão reconhecível em rochas estratificadas) que se manifestam por diferenças na composição, na textura e na cor da rocha.




Arenito Laminado. Bahia/ Brasil. Extraído de "Geologia e Recursos Minerais".http://paginas.terra.com.br/educacao/br_recursosminerais/ (consultado em Outubro/2008)


A estratificação corresponde ao aspecto que as rochas sedimentares normalmente apresentam após sofrerem os processos diagenéticos. Os sedimentos depositam-se na maior parte dos casos horizontalmente (caso da estratificação planar) em bacias sedimentares, uns sobre os outros formando camadas paralelas. Os processos diagenéticos transformam estes sedimentos soltos em rochas sedimentares consolidadas estratificadas. Chamamos Estruturas Sedimentares à estratificação e a todas as outras superfícies formadas durante a deposição que as rochas sedimentares podem apresentar, e subdividem-se:

Estratificação cruzada

Estrutura de lâminas ou camadas que se cruzam e truncam em ângulos e que foram depositadas dentro de um processo contínuo de sedimentação, sem ocorrer discordância.
Camadas depositadas horizontal e não-horizontalmente em canais de rios, de marés, nas frentes de deltas (em ambiente subaquático ou litorâneo), em dunas, formam ângulos, cruzando-se com camadas vizinhas correspondentes a mudanças de direcção de fluxo de água ou de vento. Padrões sedimentológicos (tamanhos e uniformidade de formas de grãos) e as formas de estratificações cruzada permitem determinar o tipo de ambiente geológico que deu origem às rochas onde eles ocorrem.


Estratificação Cruzada eólica em Arenito. Navajo - Zion National Park. Extraído de Earth Science World Image Bank-AGI]



Estratificação Cruzada de canal. Navajo - Zion National Park. Imagem de Earth Science World Image Bank - AGI].



Estratificação Gradacional


Estratificação que apresenta variação gradual e progressiva de granulometria, apresenta-se, muitas vezes, rítmica, indicando ciclos que retratam sazonalidade (ex. sedimentos glácio-lacustrinos) ou retomadas do processo de transporte e deposição em que a corrente fica mais forte ou mais fraca com o tempo (ex: ritmitos de correntes de maré). Em casos de depósitos vulcanoclásticos (bombas, tufos, material) tambem podem ser encontrados ciclos com granulometria gradacional devido a queda de fragmentos vulcânicos grosseiros antes dos mais finos. A inversão de fino na base para grosseiro no topo de um ciclo gradacional, como pode ocorrer em correntes de turbidez, chama-se estratificação gradacional invertida.


Estratificação Gradacional em Quartzito, Sawatch Cambrian, ver no site Earth Science World Image Bank - AGI].


Bioturbações


Muitas vezes nas rochas sedimentares a estratificação encontra-se quebrada por tubos aproximadamente cilíndricos de poucos centímetros de diâmetro, que se estendem verticalmente ao longo de muitas camadas. Estas estruturas são remanescentes de furos e túneis escavados por moluscos e muitos outros organismos marinhos. Estas estruturas são também um critério muito importante no estuda do polaridade das rochas em que se encontram.



Aspecto de Bioturbação na Praia Grande. Ver geologia.fc.ul.pt/.../galeria_de_fotos.htm

Ripple marks


Superfície ritmicamente ondulada, com comprimento de onda centimétrico a decimétrico, em sedimentos arenosos ou siltosos que se forma em dunas, pela acção do vento, e em ambientes sub-aquáticos, pela acção de ondas e de correntes.
Essas marcas podem ser simétricas ou assimétricas. As simétricas são mais típicas do vai e vem de ondas em lâmina d'água rasa e as assimétricas, são comuns quando a ondulação é formada por um fluxo de corrente, eólico, fluvial, ou canal de maré. Os dois tipos, simétricas e assimétricas, são importantes para determinar se houve inversão estratigráfica (topo e base de camadas: geopetal) . As marcas de corrente, ondulações assimétricas, além de definir a sequência estratigráfica, servem para, usando-se medidas estatísticas da assimetria, determinar o rumo preferencial da corrente eólica ou aquática, pois o lado mais íngreme é o lado contrário ao do fluxo.

Marcas de ondulação eólica assimétrica. Arenito - Colorado/USA, no site Earth Science World Image Bank-AGI] .



Referências Bibliográficas:



VERA TORRES, J. A. (1994) - Estratigrafia, principios y metodos. Ed. Rueda, 806p.

Press, Frank ; Siever, Raymond ; Grotzinger, John ; Jordan Thomas (2006) - Para entender a terra (4ª ed) - Porto Alegre: Bookman 2006


http://www.unb.br/ig/glossario/ ( Consultado em Outubro/2008)

Imagens: ( Extraídas dos sequintes links em Outubro/2008)

http://www.earthscienceworld.org/imagebank/


Earth Science World Image Bank-AGI]

geologia.fc.ul.pt/.../galeria_de_fotos.htm

07/10/2008

Estratigrafia e seus Princípios



Ciência que trata das descrições das rochas estratificadas. No conceito de Weller (1960), defini-se como“Ramo da Geologia que trata do estudo e interpretação das rochas sedimentares e estratificadas; identificação, descrição, sequência, tanto vertical quanto horizontal, cartografia e correlação das unidades estratigráficas das rochas”. No entanto, Hedgerg ( 1980) adiciona, “ Estratigrafia não só trata das relações espaciais -propriedades e atributos das rochas como estratos- forma, distribuição, composição litológica, propriedades geoquímica e geofísicas, como também determina aspectos cronológicos, ambiente de formação, modo de origem e sua história geológica”.

A Estratigrafia no âmbito cientifico, tem como objectivo a ordenação temporal e a interpretação genética dos materiais; no aplicado, a localização de recursos naturais exploráveis, com a possibilidade de minimizar os impactos ao ambiente.


Princípios Fundamentais

Princípio da Horizontalidade original e Continuidade lateral: Os estratos no momento da deposição são horizontais e paralelos à superfície de depósito (horizontalidade original) e delimitados por planos que mostram continuidade lateral. À aplicação deste princípio considera como isócronas as superfícies de estratificação.






Princípio da Sobreposição: Estabelece que em uma sucessão de estratos, os inferiores são os mais antigos e os superiores, modernos. O princípio é básico para ordenação cronológica do conjuntos de estratos subhorizontais e se pode aplicar aos materiais estratificados em que a deformação tectónica posterior ao seu depósito não implique a inversão dos estratos; foge a regra, em zonas de descontinuidades com etapas de erosão, onde estes novos sedimentos depositam-se nas cavidades das rochas mais antigas.



Princípio do Actualismo: Famoso por Matthews (1974), “O presente é a chave para o passado”. Constitui a base de muitas das interpretações estratigráficas; onde os acontecimentos do passado servem como padrões comparativos para interpretação dos actuais, considerando que os processos não são totalmente uniformes, mudanças no ritmo, intensidade e na evolução das espécies.


Princípio da idade Paleontológica: Constitui a base da datação relativa dos materiais estratificados, admitindo que em cada intervalo de tempo da história geológica (representado por um conjunto de estratos ou formações), os organismos que viveram e que por tanto fossilizaram, foram diferentes e não repetitiveis. Este princípio permite estabelecer correlações (comparações com o tempo) entre materiais de uma mesma idade de contextos geográficos muitos distantes, já que muitos dos organismos teriam um extensão horizontal praticamente mundial.

Bibliografia:
VERA TORRES, J. A. (1994) - Estratigrafia, principios y métodos. Ed. Rueda, 806p.

Figuras :
PIERRE COTILLON (1992) - Stratigraphy. Ed. Springer- Verlag, 184p.